Agora vocês, 5 leitores (sim aumentou em um o número), se perguntam: "Mas ele não disse que estava feliz e que não conseguia escrever?" Falaram bem, estava. Aí está´a minha primeira produção inédita (fiz essa manhã por que perdi o sono ontem a noite e fiquei até agora acordado. (grato por quem me aturou a noite toda)) a todos os leitores do Blog, sem distinções.
Outro Filme, a Mesma História.
Sentado, em frente à televisão assistia a um filme antigo. Na tela cenas em preto e branco delineavam uma paixão complexa e intangível, como a de tantos outros. Não havia falas, apenas textos colocados indicando o que cada ator dizia. Uma música ligeira tocada ao piano era a única sonoplastia da produção. Podia-se perceber cada quadro da imagem, o que dava a impressão dos atores estarem movendo-se mais rápido que o normal. O elenco não era o melhor já escalado em Hollywood. Nenhum dos artistas presentes havia feito fama em toda a carreira. Ele gesticulava bruscamente, com um ar forçado de súplica no rosto e a legenda apresentava um discurso inflamado sobre ele não poder deixá-la partir sem maiores explicações. Ela por sua vez contorcia o rosto demonstrando uma aflição falsa e pueril. A mesma cena de outros filmes. Já dava para saber o que aconteceria, ambos se separariam. Após isso o mundo confabularia para que eles se reencontrassem. Era sempre assim. Não havia o descaso, a eterna historia se repetia. Contos de fadas. Tudo transcorria da forma mais impossível até que terminaria bem no final. O mocinho e a mocinha.
Certamente o final desta epopéia de onirismos seria selado com um beijo. Era de praxe. Não tinha por que ser diferente. As pessoas pagavam por coisas utópicas. Por sentidos abstratos e alheios ao mundo real. Esses filmes nada mais eram que meras cópias de fábulas arcaicas. Até mesmo a atriz era um plágio das demais. Loura, usando um chapéu com cachos do cabelo a mostra. Ele por sua vez tinha o rosto quadrado, com o queixo largo e um sorriso branco irritante. Ele trajava um terno que parecia ser cinza e ela um tailleur em tons pastéis. O cenário de fundo tinha muitas flores que eram tomadas um tom acinzentado variando do claro ao escuro. Sabia que eu estava certo. Ela partiu. Deixou-o para “todo o sempre”. O filme transcorre, ele sofre, ela chora. Cada qual em seu lugar. Distantes. Sem noticias, sem contato.
O filme se estende por horas como nos demais, todo o sofrimento, toda a loucura embotada num ser apaixonado. A tentativa desesperada de esquecer... Deveras era um filme diferente. A tentativa de esquecer deu certo. Cada qual continuou a sua vida, na melhor forma que puderam. Ele evitou relacionamentos, ela conheceu alguém que despertou o seu interesse. Então o dia estava marcado. Eu sabia. Essa história não ficaria sem um final feliz, estamos falando de ficção e não realidade, não haveria uma razão para não terminar tudo bem. Ela certamente o convidara para o casamento na esperança dele impedir a cerimônia com algum gesto de amor desesperado. Assim todos estavam lá. Era uma catedral bela com grandes paredes brancas. Centenas de convidados dispersos entre bancos. O noive esperava paciente dentro da igreja. Então um carro preto chegou frente à igreja. De dentro dele saiu a noiva, linda e resplandecente, a música do filme mudava para dar verossimilhança, com o que era tocado num órgão antigo por uma velha de mãos enrugadas.
A música transcorreu as legendas mostraram todas as palavras do casamento. O momento o qual eu antecipara não aconteceu. Ninguém revelou algo que pudesse impedir a aliança do casal. Notava-se claramente no rosto do mocinho certa dor e a respiração diferenciada, mas por covardia ele nada falou e contentou-se apenas em baixar os olhos ao chão para não culpar-se de seu destino. Assim os noivos casaram, ambos aceitaram. Ele beijou a noiva. A festa começou, mas o mocinho da história teve que se retirar prematuramente da festa. Antes de ele sair um rapaz entregou-lhe um envelope fechado com uma fita vermelha em torno. Certamente seria um plano para que eles pudessem fugir, talvez um recado da noiva, eu não sabia mais o que pensar.
Já distante da festa ele carregava duas malas para dentro de seu quarto num navio que partia aquela noite. Após despojar-se das valises andou até o convés e retirou o envelope do bolso. Com imenso zelo removeu a fita vermelha que o lacrava e abriu-o. De dentro retirou uma foto com o casal no instante do beijo. Ela estava inclinada para frente com um sorriso de felicidade e ele tateava o rosto da noiva com uma mão, enquanto a outra a envolvia pela cintura, seus lábios se tocavam apaixonados. Ali via ele o momento em que suas forças desapareceram. Não restava mais nada a fazer alem de aguardar que o navio se distanciasse o bastante para que a memória que o incomodava ficasse tão distante que não o ferisse mais. O homem se recostou no parapeito do navio e ficou a observa o sol que se punha no no céu vanilla. Um imenso “The End” cobriu a tela e as letras começaram a passar. Realmente fora um filme bastante diferente dos demais. Este poderia ser outro filme qualquer, mas a mesmice da historia não era a mesmice do cinema, mas sim a minha própria. Retirando o glamour e os enfeites da produção, alterando os atores, removendo navios e cenários na Europa não restaria mais nada, além de eu, sentado num sofá, observando um velho retrato com uma mão em torno da cintura.
3 comentários:
Você dedicou à pessoa que te aturou a noite inteira...\o/
Li, reli e achei lindo...muito legasl mesmo...;P
Bjo....
posso encarar como uma dedicatória a uma pequena parte da sua inspiração? só ñ quero o mérito da tua volta à prática, mas se eu tiver alguma participação nisso, ñ é de todo mal, afinal, sempre vale a pena ler teus contos...
Post post... só para dizer que li esse! hahahaha
Beleza, meu guri... eu que não gosto de pareceres sobre filmes, gostei desse! Felicitaciones e honjerias de mi persona a usted você.
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