segunda-feira, 26 de março de 2007

Sem notas precisas, apenas divagações e o texto...

Agora vocês, 5 leitores (sim aumentou em um o número), se perguntam: "Mas ele não disse que estava feliz e que não conseguia escrever?" Falaram bem, estava. Aí está´a minha primeira produção inédita (fiz essa manhã por que perdi o sono ontem a noite e fiquei até agora acordado. (grato por quem me aturou a noite toda)) a todos os leitores do Blog, sem distinções.

Outro Filme, a Mesma História.

Sentado, em frente à televisão assistia a um filme antigo. Na tela cenas em preto e branco delineavam uma paixão complexa e intangível, como a de tantos outros. Não havia falas, apenas textos colocados indicando o que cada ator dizia. Uma música ligeira tocada ao piano era a única sonoplastia da produção. Podia-se perceber cada quadro da imagem, o que dava a impressão dos atores estarem movendo-se mais rápido que o normal. O elenco não era o melhor já escalado em Hollywood. Nenhum dos artistas presentes havia feito fama em toda a carreira. Ele gesticulava bruscamente, com um ar forçado de súplica no rosto e a legenda apresentava um discurso inflamado sobre ele não poder deixá-la partir sem maiores explicações. Ela por sua vez contorcia o rosto demonstrando uma aflição falsa e pueril. A mesma cena de outros filmes. Já dava para saber o que aconteceria, ambos se separariam. Após isso o mundo confabularia para que eles se reencontrassem. Era sempre assim. Não havia o descaso, a eterna historia se repetia. Contos de fadas. Tudo transcorria da forma mais impossível até que terminaria bem no final. O mocinho e a mocinha.

Certamente o final desta epopéia de onirismos seria selado com um beijo. Era de praxe. Não tinha por que ser diferente. As pessoas pagavam por coisas utópicas. Por sentidos abstratos e alheios ao mundo real. Esses filmes nada mais eram que meras cópias de fábulas arcaicas. Até mesmo a atriz era um plágio das demais. Loura, usando um chapéu com cachos do cabelo a mostra. Ele por sua vez tinha o rosto quadrado, com o queixo largo e um sorriso branco irritante. Ele trajava um terno que parecia ser cinza e ela um tailleur em tons pastéis. O cenário de fundo tinha muitas flores que eram tomadas um tom acinzentado variando do claro ao escuro. Sabia que eu estava certo. Ela partiu. Deixou-o para “todo o sempre”. O filme transcorre, ele sofre, ela chora. Cada qual em seu lugar. Distantes. Sem noticias, sem contato.

O filme se estende por horas como nos demais, todo o sofrimento, toda a loucura embotada num ser apaixonado. A tentativa desesperada de esquecer... Deveras era um filme diferente. A tentativa de esquecer deu certo. Cada qual continuou a sua vida, na melhor forma que puderam. Ele evitou relacionamentos, ela conheceu alguém que despertou o seu interesse. Então o dia estava marcado. Eu sabia. Essa história não ficaria sem um final feliz, estamos falando de ficção e não realidade, não haveria uma razão para não terminar tudo bem. Ela certamente o convidara para o casamento na esperança dele impedir a cerimônia com algum gesto de amor desesperado. Assim todos estavam lá. Era uma catedral bela com grandes paredes brancas. Centenas de convidados dispersos entre bancos. O noive esperava paciente dentro da igreja. Então um carro preto chegou frente à igreja. De dentro dele saiu a noiva, linda e resplandecente, a música do filme mudava para dar verossimilhança, com o que era tocado num órgão antigo por uma velha de mãos enrugadas.

A música transcorreu as legendas mostraram todas as palavras do casamento. O momento o qual eu antecipara não aconteceu. Ninguém revelou algo que pudesse impedir a aliança do casal. Notava-se claramente no rosto do mocinho certa dor e a respiração diferenciada, mas por covardia ele nada falou e contentou-se apenas em baixar os olhos ao chão para não culpar-se de seu destino. Assim os noivos casaram, ambos aceitaram. Ele beijou a noiva. A festa começou, mas o mocinho da história teve que se retirar prematuramente da festa. Antes de ele sair um rapaz entregou-lhe um envelope fechado com uma fita vermelha em torno. Certamente seria um plano para que eles pudessem fugir, talvez um recado da noiva, eu não sabia mais o que pensar.

Já distante da festa ele carregava duas malas para dentro de seu quarto num navio que partia aquela noite. Após despojar-se das valises andou até o convés e retirou o envelope do bolso. Com imenso zelo removeu a fita vermelha que o lacrava e abriu-o. De dentro retirou uma foto com o casal no instante do beijo. Ela estava inclinada para frente com um sorriso de felicidade e ele tateava o rosto da noiva com uma mão, enquanto a outra a envolvia pela cintura, seus lábios se tocavam apaixonados. Ali via ele o momento em que suas forças desapareceram. Não restava mais nada a fazer alem de aguardar que o navio se distanciasse o bastante para que a memória que o incomodava ficasse tão distante que não o ferisse mais. O homem se recostou no parapeito do navio e ficou a observa o sol que se punha no no céu vanilla. Um imenso “The End” cobriu a tela e as letras começaram a passar. Realmente fora um filme bastante diferente dos demais. Este poderia ser outro filme qualquer, mas a mesmice da historia não era a mesmice do cinema, mas sim a minha própria. Retirando o glamour e os enfeites da produção, alterando os atores, removendo navios e cenários na Europa não restaria mais nada, além de eu, sentado num sofá, observando um velho retrato com uma mão em torno da cintura.

3 comentários:

Dear Lê disse...

Você dedicou à pessoa que te aturou a noite inteira...\o/
Li, reli e achei lindo...muito legasl mesmo...;P
Bjo....

Unknown disse...

posso encarar como uma dedicatória a uma pequena parte da sua inspiração? só ñ quero o mérito da tua volta à prática, mas se eu tiver alguma participação nisso, ñ é de todo mal, afinal, sempre vale a pena ler teus contos...

Henri com "i" disse...

Post post... só para dizer que li esse! hahahaha
Beleza, meu guri... eu que não gosto de pareceres sobre filmes, gostei desse! Felicitaciones e honjerias de mi persona a usted você.