Olvidado
Felicidade insólita que rebenta em meu peito,
Da triste agonia deflora o riso.
Num doce gemido escapa um suspiro,
Quem me dera ter sido feliz assim outrora.
De vosso silêncio eu tenho medo,
Mas em vossas palavras sinto o martírio.
Me nega, se esconde, ignora que sinto,
Mas tal privação me alegra agora.
Sorrio do escárnio que agora sinto,
De minha angústia surgir por hora.
Angústia de estar liberto e vivo,
Não em sua prisão, mas de estar cá fora.
Liberto e rindo de um coração partido,
O qual minha lágrima de tristezas chora.
Insalubre regozijo de uma paixão perdida,
O qual o abandono celebro agora.
Um certo amigo meu citou que das complexidades ele não é fã. Nem mesmo eu, então o que melhor que a simplicidade de um poema para deixar trespassar aquilo tudo que sufoca dia a dia? É deveras estranho ponderar sobre o quanto algumas coisas são de tão pequena significância que podem ser jogadas fora de uma forma tão simples e banal. Esse poema (de minha autoria) me é vislumbrado como um lapso precógnito do que aconteceu nos últimos tempos. O escrevi a quase um ano, mas somente a um mês e pouco fui realmente entender do que ele trata, de apatia, descaso, desdém e sentir-se feliz por tudo isso.
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