quarta-feira, 27 de junho de 2007

As mesmas coisas de sempre, dilemas, mulheres e livros...

Mesmo completamente envolvido pelo projeto do romance não consegui distanciar-me da poesia de todo e escrevi algumas parcas linhas nos últimos dias. Acredito que tenha sido movido pela exaltação que surgiu pela possibilidade de publicar algo, mas apenas essa expectativa certamente não seria de todo responsável pelos meus versos. Compus quatro poemas, apresentados a seguir, os quais acredito falar de alguns pontos específicos, de mim, do meu estilo, das minhas necessidades para escrever e das minhas influências. Não sei se elas caem ao gosto de vocês, mas ainda assim, deixo aqui mais algumas linhas.



Eu

Sou louco e insano,
Profano, não minto.
Omito mas digo,
Repriso e revivo.

Me engano e proclamo,
Um amor qual não amo,
Uma tristeza de engano,
Um sorriso jazido.

Pereço e desejo
Os sonhos que tenho,
As mágoas do alento,
Meu calvário e martírio.

Do pungente ao afável
Pode ter de meus lábios,
Que se mostram contrários
Ao que me é concebido.

Me ame e a deixo,
Me deixe e a desejo,
Me negue e me tenhas
Ou me aceite a espreita.

Incerto e resoluto,
Um paradoxo absurdo,
O qual não sei se sou tudo
Ou do tudo sou o escuro.

Mas sou!
Vivo e delirante,
De um coração relutante
Ao que me é concedido.



Exaltação de Maio

Por onde andam teus gracejos,
Que me encantaram num sol de maio
E disperso em devaneios,
Fiz do real o abstrato.

Por onde flora a bela rosa
A qual o espinho me fere ao tato,
Que não cito em meio a prosa,
Pois o rimado serve ao recato.

Por onde brilha incandescente
Aquela estrela de seu retrato,
A qual fulgura em minha mente,
Mas em meu céu deixou só rastro?

Por onde vaga a tua figura,
Que aqui deixou-me apaixonado,
Sabendo triste em meus tormentos,
Que o que passou não mais é fato?

Por onde anda, a quem encanta
Que à solidão me deixou atado?
A quem tu banha em esperanças,
Para deixar em meio a cacos?



Um Belo Dia

É um belo dia para a poesia,
O astro-rei dourado brilha
E seu calor aquece a vida
Que hoje ri em alegria.

Suave brisa viveria,
Leva de mim minha agonia.
E aquela dor que angustia,
Desfaz-se em pó à luz do dia.

As aves cantam sem covardia
E a relva verde desce a colina,
Até águas claras onde há vida,
Que se estende em fantasia.

Casais namoram ao pé da rima,
D’um arco-íris que ostenta e cria.
É um belo dia para a poesia,
De tantos outros, mas não pra minha.



(???) - Aceito Sugestões Para o Nome. -

No cantar infausto da ave parda,
Finda-se o ardor de minhas mágoas
E ao poente taciturno de minha vida,
A aurora já se encontra escurecida.

Deixado às chagas que não ferem em meu sepulcro
E ao olhar, da ave negra, em meu augúrio.
Pereço pelo que há de sacro neste mundo,
Por um amor desenfreado, belo e puro.

E nos encantos deste canto desfaz-se o verso,
Por alvo rosto, que tanto amei naquele inverno.
E ainda remete-me a memórias ancestrais,
Do velho corvo, que ainda habita em tais umbrais.

5 comentários:

Henri com "i" disse...

Difícil é sugerir um nome para tão bela poesia. De fato, tão bela poesia.
vou pensar... e reler... e pensar... e reler

Henri com "i" disse...

As poesias me dão nó na cabeça... às vezes parecem que elas falam uma coisa que não dizem... parece que sou eu quem construo seus significados quando as leio. E nunca sei se estou certo.

Unknown disse...

s� pq vc sumiu eu vim aki ^^
apareeeeeeeeeeece Andr�!
to com saudade de te xingar seu besta!
esses poemas t�o diferentes do q vc vinha escrevendo :P
ser� q � pq a musa mudou??
se minha opini�o vale alguma coisa...
prefiro os outros (h)
hehehehehehhehe

bjssssssssssssssss!!!

Henri com "i" disse...

como faço para lê-las??? como???

Ana Júlia disse...

hmmm...todas muito lindas...parabéns!
Primeiro nome que me veio à mente: Reluz

abração!!!!!!