Mesmo completamente envolvido pelo projeto do romance não consegui distanciar-me da poesia de todo e escrevi algumas parcas linhas nos últimos dias. Acredito que tenha sido movido pela exaltação que surgiu pela possibilidade de publicar algo, mas apenas essa expectativa certamente não seria de todo responsável pelos meus versos. Compus quatro poemas, apresentados a seguir, os quais acredito falar de alguns pontos específicos, de mim, do meu estilo, das minhas necessidades para escrever e das minhas influências. Não sei se elas caem ao gosto de vocês, mas ainda assim, deixo aqui mais algumas linhas.
Eu
Sou louco e insano,
Profano, não minto.
Omito mas digo,
Repriso e revivo.
Me engano e proclamo,
Um amor qual não amo,
Uma tristeza de engano,
Um sorriso jazido.
Pereço e desejo
Os sonhos que tenho,
As mágoas do alento,
Meu calvário e martírio.
Do pungente ao afável
Pode ter de meus lábios,
Que se mostram contrários
Ao que me é concebido.
Me ame e a deixo,
Me deixe e a desejo,
Me negue e me tenhas
Ou me aceite a espreita.
Incerto e resoluto,
Um paradoxo absurdo,
O qual não sei se sou tudo
Ou do tudo sou o escuro.
Mas sou!
Vivo e delirante,
De um coração relutante
Ao que me é concedido.
Exaltação de Maio
Por onde andam teus gracejos,
Que me encantaram num sol de maio
E disperso em devaneios,
Fiz do real o abstrato.
Por onde flora a bela rosa
A qual o espinho me fere ao tato,
Que não cito em meio a prosa,
Pois o rimado serve ao recato.
Por onde brilha incandescente
Aquela estrela de seu retrato,
A qual fulgura em minha mente,
Mas em meu céu deixou só rastro?
Por onde vaga a tua figura,
Que aqui deixou-me apaixonado,
Sabendo triste em meus tormentos,
Que o que passou não mais é fato?
Por onde anda, a quem encanta
Que à solidão me deixou atado?
A quem tu banha em esperanças,
Para deixar em meio a cacos?
Um Belo Dia
É um belo dia para a poesia,
O astro-rei dourado brilha
E seu calor aquece a vida
Que hoje ri em alegria.
Suave brisa viveria,
Leva de mim minha agonia.
E aquela dor que angustia,
Desfaz-se em pó à luz do dia.
As aves cantam sem covardia
E a relva verde desce a colina,
Até águas claras onde há vida,
Que se estende em fantasia.
Casais namoram ao pé da rima,
D’um arco-íris que ostenta e cria.
É um belo dia para a poesia,
De tantos outros, mas não pra minha.
(???) - Aceito Sugestões Para o Nome. -
No cantar infausto da ave parda,
Finda-se o ardor de minhas mágoas
E ao poente taciturno de minha vida,
A aurora já se encontra escurecida.
Deixado às chagas que não ferem em meu sepulcro
E ao olhar, da ave negra, em meu augúrio.
Pereço pelo que há de sacro neste mundo,
Por um amor desenfreado, belo e puro.
E nos encantos deste canto desfaz-se o verso,
Por alvo rosto, que tanto amei naquele inverno.
E ainda remete-me a memórias ancestrais,
Do velho corvo, que ainda habita em tais umbrais.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Juntando restos para o meu Frankenstein...
Apenas informo por meio deste post que dei início ao meu romance, no atual momento ele deve estar com duas páginas. Caso alguém possua algum material de Lacan e puder me emprestar ou mesmo me passar algum link com estudos dele eu ficaria muito grato. Acho que a idéia do Romance tá bem interessante, mas ainda faltam por alguns pingos nos "Is". Sendo o que tinha para o momento, me despeço de vocês, sem uma prévia de quando volto a postar material no Blog.
Atenciosamente,
André Luiz Dalazen.
Atenciosamente,
André Luiz Dalazen.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Novidades...
Bom, eu ando meio "foragido" do MSN, nao tenho conversado muito com o pessoal, mas aqui estão as novidades: O grupo de escritores o qual eu participo voltará com a coluna no jornal (nao me recordo qual) e logo logo eu creio que terei algo meu publicado, sim eu sei que não é nem um centésimo do que um escritor (ou pseudo) almeja, porém é interessante ver esse tipo de empenho em uma cidade de 35.000 habitantes quando em outras maiores que eu vivi não havia absolutamente nada. Bom outra parte interessante da coisa é que eu fui escalado para ser "editor" ou co-editor já que eu trabalharei em conjunto com o Il. Ubiratan Porto (coordenador do Grupo Poetando). em breve talvez eu possua algumas novidades para contar envolvendo concursos literários, mas isso é uma história para futuros posts... Ta aí ao lado uma amostra de um teste que fiz com a coluna do jornal... Ah sim, em breve também pretendo colocar alguns posts com o nome de "Teorias" ali vai constar uma visão deturpada e extremista de muitas coisas. Sobre o romance que eu havia começado a trabalhar eu informo que algumas modificações ocorreram, tenho realizado algumas pesquisas no campo da psicologia que justifiquem alguns detalhes do romance. O número de personagens no livro foi drasticamente reduzido, os aproximados 15 deram lugar a 5 que acredito eu tenham ficado mais concisos. Bom, por hoje é isso, em breve mais informações...
quinta-feira, 14 de junho de 2007
O Eterno "Peixe-Dourado"
Não me recordo direito desse conto, tanto que vou postar ele aqui para lê-lo convosco. Não tenho muito a falar dele a não ser que me recordo de tê-lo escrito, mas não do que ele trata. Com vocês um conto completamente estranho a minha memória, mas familiar ao meu âmago.
A Alguém
Deveras é estranho ponderar sobre o momento em que nossas vidas acaba. Não devemos pressupor que este instante que trato seja realmente o momento de nossa morte, mas sim o momento em que descobrimos que já não vivemos mais. Muito antes de chegarmos ao instante o qual cessamos de respirar nós já estamos mortos. Muito antes de o pulso parar já não vivemos mais. Eu refiro-me ao instante o qual nos perdemos o ânimo de continuarmos com sonhos e ambições, eu menciono aqui através dessas palavras pelo instante que a centelha do continuar existir se extingue e o dia seguinte nada mais é que um mero numero que não ansiamos à chegar.
No caso deste, que vos escreve, esse instante chegou prematuramente, talvez antes mesmo de ter consciência do que a morte significava, em seu aspecto real. Eu ainda tinha cerca de doze anos quando o desânimo pelo amanhã se apoderou de mim e eu cogitei em cessar com essa miserável vida que não se cansava de rastejar pesarosamente. Antes mesmo de completar quatorze já procurava por meios, estapafúrdios, de não ter que ver a próxima alvorada. Na época, ainda infantil, prendia-me à reação do que diriam se me encontrassem jazido sem vida no meu quarto e o sofrimento daqueles que tinham meu apreço não era algo que eu almejava, sendo assim desistia sempre.
Depois dessa idade conturbada, consegui perceber que temos um grande dom de camuflar a nos mesmos e viver sob uma fachada de alegria ilusória. Conseguimos fingir um sorriso franco, uma tristeza momentânea e até mesmo uma paixão inexistente. Somos hábeis mentirosos por natureza e até mesmo temos a incrível capacidade de nos convencermos de nossas próprias mentiras. Se fosse diferente, por que em nossas lembranças eventualmente nos vemos como se alguém estivesse a nos filmar e não com uma visão de nos mesmos? Vivemos em uma completa ignorância a qual nos convencemos de que vale a pena viver o amanhã, graças a nossa imaginação de um passado fictício.
Como qualquer outra pessoa normal, acreditei em minhas próprias mentiras e entreguei-me a ilusão de um onirismo quase perfeito. Entretanto o desapontamento com a realidade era tamanho que notei-me apático com o passar dos dias. E assim tomei consciência do que havia vivido, uma grande mentira. Antes mesmo dos vinte anos já não conseguia ver graça nas coisas que fazia, entretanto ainda prendia-me ao fato de que se não notassem não perguntariam sobre e continuava a simular minhas reações, não por ignorância, mas propositalmente, o que me dava uma pequena vantagem no trato social. Era capaz de aparentar estar sentido o mesmo que aqueles que mascaravam seus sentimentos a mim. Entretanto à medida que a apatia avança sobre nos nem mesmo mentir parece ser algo necessário.
Transformei-me em algo o qual as pessoas observavam distantes e comentavam acuadas. Eu já não via mais a necessidade da sociedade em si, preferia perder-me em pensamentos sobre a mediocridade dos demais e sobre suas mentiras banais. Tornei-me hábil em perceber as nuances das mentiras que contavam e de conhecer os segredos mais bem guardados de cada um.
Foi então que algo aconteceu. Conheci uma pessoa à qual parecia ser inversamente proporcional a mim. Estranhamente ela parecia sentir realmente tudo que a cercava. Parecia esta constantemente embriagada em sensações e além de tudo não conseguia descobrir o que havia por trás dela. Ela não possuía uma fachada como todos os outros e se eu estivesse errado naquele momento certamente a farsa dela era forte o bastante para me convencer que era real. Notei-me ser envolvido por aquela figura misteriosa, talvez por não conseguir perpetrar naquela sólida mentira, talvez por acreditar que fosse realidade.
Realmente a figura que ela aparentava à mim era extremamente encantadora, tinha um sorriso franco, aparentemente livre de recriminações. Era detentora de uma meiguice raramente vista. Tinha uma forma especial de demonstrar o que sentia e o que pensava. Não usava mascaras como as pessoas normais, embora essas a taxassem de mentirosa e simulada. Eu observava isso abismado. A única pessoa a qual eu não encontrava mentiras era considerada uma mentirosa nata. Era tida por uma falsária barata e tratada como uma pária entre os rejeitados.
Mas o que seriam as ilusões além de devaneios da alma? E o que poderia ser considerado um ato de paixão melhor que estes próprios momentos de insensatez? Mesmo ficando apático aos sentidos e sentimentos, posso afirmar com plena certeza, que de uma paixão ninguém está a salvo. Tal sentimento desenfreado deveria constar nos imponentes atlas de medicina como um vírus, uma enfermidade que se alastra, nada pode detê-la ela simplesmente se estende de forma inconseqüente causando danos irreversíveis por onde passa. Não consideraremos, porém que ela seja vil e egoísta, ela apenas nutre um instinto próprio de sobrevivência, como qualquer outra coisa que exista, ela quer continuar existindo.
Para encerrar meus rodeios sobre a situação, pondero ser melhor apenas admitir que apaixonei-me por alguém que eu poderia considerar a mentira mais verdadeira avistada. Era como um paradoxo ocorrendo em frente aos meus olhos tendo eu mesmo como um ator. Entreguei-me aos deleites do sentimento novamente, procurava constantemente o belo mesmo onde habitava apenas o hediondo. Sentia-me estúpido por acreditar novamente me tais mentiras, mas elas soavam como a mais primorosa realidade, algo tão perfeito impossível de ser.
Considero que perdi a prática nos artifícios dos sentidos, pois não consegui sequer ouvir um não, recebi a pior de todas as duvidas, o silêncio. A falava, tocava e sentia e em troca recebia apenas um grande vazio. Em noites mal dormidas, revirava-me em meu leito, pensando onde estava a minha falha e julgava-me estúpido por sucumbir novamente às mentiras convenientes. Não conseguia descansar por um ínfimo instante. Quando dormia a via em meus sonhos, quando acordado em meus pensamentos. Não tinha um único instante de paz e privacidade, ela sempre estava comigo. Velava-me em meu sono como se vela um morto e seguia-me como um corvo esperando para que eu tombasse sem vida para consumir o que restava de mim. Comparava-me como um Werther qualquer, sem a poesia de sua vida, apenas seus percalços. Se por ventura Dante tivesse me conhecido ele me ofereceria de bom grado todos os infernos mostrados a Virgílio, para que eu pudesse descansar, a tortura eterna soava muito menos pungente que a aniquilação constante.
Ponderava, para não dizer que delirava. A tinha em meus mais secretos pensamentos constantemente. Sua imagem não saia dos meus olhos, de meus lábios eram as suas palavras que eram proferidas. Em meus gestos os seus maneirismos em minha agonia a sua serenidade. Já indagava-me sobre tal beleza realmente existir, ou se tratava apenas de uma peça pregada pela minha imaginação. Um último mecanismo para reviver o que habitava dentro dos homens, uma tentativa desesperada de minha alma para devolver-me o caráter humano.
Não, ela realmente existia. Nenhuma mente poderia fantasiar tal resplendor, mesmo nos sonhos mais puros, os anjos mais belos, teriam aspecto deformado na presença dela. Consumia-me constantemente em indagações sobre o que fazer e como proceder para lidar com tais sentimentos que inundavam-me. E enquanto consumia-me em perguntas o mundo continuava a seguir seu inefável curso. As coisas mudavam ao meu redor e eu não sabia mais onde exatamente eu estava. O mundo dera inúmeras voltas enquanto eu estava esquecido dentro de mim mesmo. Seria até mesmo estranho comparar à maneira a qual eu vivia com a minha atual rotina. Isolado, absorto apenas em minhas conjecturações. Alienado ao mundo.
A mudança que me cercava era completamente surreal. Quando necessitei retornar ao mundo por mero instinto de sobrevivência, descobri que nada mais havia. Nenhuma bela musa existiu, os verdes olhos que eram a minha paixão nunca se abriram, o sorriso que me encantava nunca existira. Insano agora percorria ruelas imundas repletas dos mais vis homens tentando encontrar um lugar o qual eu pudesse ser aceito como igual. A beleza cativante nunca habitara mundo algum a não ser o de minha imaginação. Assim prossegui até me encontrar onde estou hoje, morto porem com o sangue ainda correndo, em um quarto a muito esquecido, repleto da mais densa poeira escrevendo em linhas parcas aquilo que um dia foi a minha única e grande paixão.
A Alguém
Deveras é estranho ponderar sobre o momento em que nossas vidas acaba. Não devemos pressupor que este instante que trato seja realmente o momento de nossa morte, mas sim o momento em que descobrimos que já não vivemos mais. Muito antes de chegarmos ao instante o qual cessamos de respirar nós já estamos mortos. Muito antes de o pulso parar já não vivemos mais. Eu refiro-me ao instante o qual nos perdemos o ânimo de continuarmos com sonhos e ambições, eu menciono aqui através dessas palavras pelo instante que a centelha do continuar existir se extingue e o dia seguinte nada mais é que um mero numero que não ansiamos à chegar.
No caso deste, que vos escreve, esse instante chegou prematuramente, talvez antes mesmo de ter consciência do que a morte significava, em seu aspecto real. Eu ainda tinha cerca de doze anos quando o desânimo pelo amanhã se apoderou de mim e eu cogitei em cessar com essa miserável vida que não se cansava de rastejar pesarosamente. Antes mesmo de completar quatorze já procurava por meios, estapafúrdios, de não ter que ver a próxima alvorada. Na época, ainda infantil, prendia-me à reação do que diriam se me encontrassem jazido sem vida no meu quarto e o sofrimento daqueles que tinham meu apreço não era algo que eu almejava, sendo assim desistia sempre.
Depois dessa idade conturbada, consegui perceber que temos um grande dom de camuflar a nos mesmos e viver sob uma fachada de alegria ilusória. Conseguimos fingir um sorriso franco, uma tristeza momentânea e até mesmo uma paixão inexistente. Somos hábeis mentirosos por natureza e até mesmo temos a incrível capacidade de nos convencermos de nossas próprias mentiras. Se fosse diferente, por que em nossas lembranças eventualmente nos vemos como se alguém estivesse a nos filmar e não com uma visão de nos mesmos? Vivemos em uma completa ignorância a qual nos convencemos de que vale a pena viver o amanhã, graças a nossa imaginação de um passado fictício.
Como qualquer outra pessoa normal, acreditei em minhas próprias mentiras e entreguei-me a ilusão de um onirismo quase perfeito. Entretanto o desapontamento com a realidade era tamanho que notei-me apático com o passar dos dias. E assim tomei consciência do que havia vivido, uma grande mentira. Antes mesmo dos vinte anos já não conseguia ver graça nas coisas que fazia, entretanto ainda prendia-me ao fato de que se não notassem não perguntariam sobre e continuava a simular minhas reações, não por ignorância, mas propositalmente, o que me dava uma pequena vantagem no trato social. Era capaz de aparentar estar sentido o mesmo que aqueles que mascaravam seus sentimentos a mim. Entretanto à medida que a apatia avança sobre nos nem mesmo mentir parece ser algo necessário.
Transformei-me em algo o qual as pessoas observavam distantes e comentavam acuadas. Eu já não via mais a necessidade da sociedade em si, preferia perder-me em pensamentos sobre a mediocridade dos demais e sobre suas mentiras banais. Tornei-me hábil em perceber as nuances das mentiras que contavam e de conhecer os segredos mais bem guardados de cada um.
Foi então que algo aconteceu. Conheci uma pessoa à qual parecia ser inversamente proporcional a mim. Estranhamente ela parecia sentir realmente tudo que a cercava. Parecia esta constantemente embriagada em sensações e além de tudo não conseguia descobrir o que havia por trás dela. Ela não possuía uma fachada como todos os outros e se eu estivesse errado naquele momento certamente a farsa dela era forte o bastante para me convencer que era real. Notei-me ser envolvido por aquela figura misteriosa, talvez por não conseguir perpetrar naquela sólida mentira, talvez por acreditar que fosse realidade.
Realmente a figura que ela aparentava à mim era extremamente encantadora, tinha um sorriso franco, aparentemente livre de recriminações. Era detentora de uma meiguice raramente vista. Tinha uma forma especial de demonstrar o que sentia e o que pensava. Não usava mascaras como as pessoas normais, embora essas a taxassem de mentirosa e simulada. Eu observava isso abismado. A única pessoa a qual eu não encontrava mentiras era considerada uma mentirosa nata. Era tida por uma falsária barata e tratada como uma pária entre os rejeitados.
Mas o que seriam as ilusões além de devaneios da alma? E o que poderia ser considerado um ato de paixão melhor que estes próprios momentos de insensatez? Mesmo ficando apático aos sentidos e sentimentos, posso afirmar com plena certeza, que de uma paixão ninguém está a salvo. Tal sentimento desenfreado deveria constar nos imponentes atlas de medicina como um vírus, uma enfermidade que se alastra, nada pode detê-la ela simplesmente se estende de forma inconseqüente causando danos irreversíveis por onde passa. Não consideraremos, porém que ela seja vil e egoísta, ela apenas nutre um instinto próprio de sobrevivência, como qualquer outra coisa que exista, ela quer continuar existindo.
Para encerrar meus rodeios sobre a situação, pondero ser melhor apenas admitir que apaixonei-me por alguém que eu poderia considerar a mentira mais verdadeira avistada. Era como um paradoxo ocorrendo em frente aos meus olhos tendo eu mesmo como um ator. Entreguei-me aos deleites do sentimento novamente, procurava constantemente o belo mesmo onde habitava apenas o hediondo. Sentia-me estúpido por acreditar novamente me tais mentiras, mas elas soavam como a mais primorosa realidade, algo tão perfeito impossível de ser.
Considero que perdi a prática nos artifícios dos sentidos, pois não consegui sequer ouvir um não, recebi a pior de todas as duvidas, o silêncio. A falava, tocava e sentia e em troca recebia apenas um grande vazio. Em noites mal dormidas, revirava-me em meu leito, pensando onde estava a minha falha e julgava-me estúpido por sucumbir novamente às mentiras convenientes. Não conseguia descansar por um ínfimo instante. Quando dormia a via em meus sonhos, quando acordado em meus pensamentos. Não tinha um único instante de paz e privacidade, ela sempre estava comigo. Velava-me em meu sono como se vela um morto e seguia-me como um corvo esperando para que eu tombasse sem vida para consumir o que restava de mim. Comparava-me como um Werther qualquer, sem a poesia de sua vida, apenas seus percalços. Se por ventura Dante tivesse me conhecido ele me ofereceria de bom grado todos os infernos mostrados a Virgílio, para que eu pudesse descansar, a tortura eterna soava muito menos pungente que a aniquilação constante.
Ponderava, para não dizer que delirava. A tinha em meus mais secretos pensamentos constantemente. Sua imagem não saia dos meus olhos, de meus lábios eram as suas palavras que eram proferidas. Em meus gestos os seus maneirismos em minha agonia a sua serenidade. Já indagava-me sobre tal beleza realmente existir, ou se tratava apenas de uma peça pregada pela minha imaginação. Um último mecanismo para reviver o que habitava dentro dos homens, uma tentativa desesperada de minha alma para devolver-me o caráter humano.
Não, ela realmente existia. Nenhuma mente poderia fantasiar tal resplendor, mesmo nos sonhos mais puros, os anjos mais belos, teriam aspecto deformado na presença dela. Consumia-me constantemente em indagações sobre o que fazer e como proceder para lidar com tais sentimentos que inundavam-me. E enquanto consumia-me em perguntas o mundo continuava a seguir seu inefável curso. As coisas mudavam ao meu redor e eu não sabia mais onde exatamente eu estava. O mundo dera inúmeras voltas enquanto eu estava esquecido dentro de mim mesmo. Seria até mesmo estranho comparar à maneira a qual eu vivia com a minha atual rotina. Isolado, absorto apenas em minhas conjecturações. Alienado ao mundo.
A mudança que me cercava era completamente surreal. Quando necessitei retornar ao mundo por mero instinto de sobrevivência, descobri que nada mais havia. Nenhuma bela musa existiu, os verdes olhos que eram a minha paixão nunca se abriram, o sorriso que me encantava nunca existira. Insano agora percorria ruelas imundas repletas dos mais vis homens tentando encontrar um lugar o qual eu pudesse ser aceito como igual. A beleza cativante nunca habitara mundo algum a não ser o de minha imaginação. Assim prossegui até me encontrar onde estou hoje, morto porem com o sangue ainda correndo, em um quarto a muito esquecido, repleto da mais densa poeira escrevendo em linhas parcas aquilo que um dia foi a minha única e grande paixão.
Eu e meu maldito museu de cera..
Essa ausência total de palavras tem me causado certo desconforto. Eu realmente tenho escrito algumas coisas, mas nada que eu possa postar aqui no blog, então acabei optando por colocar um conto antigo aqui. Mesmo sendo algo escrito a algum tempo, acredito que mais de um ano, algumas coisas nele continuam exatamente como na época em que o escrevi. Por algum motivo curioso eu considero este o meu melhor conto, embora saiba que ele não possua nem mesmo uma fagulha da qualidade (em termos de morfologia do conto) de meus trabalhos recentes como “O Pianista” e os demais que escrevi nessa época. Esse conto me atrai tanto, acho eu, devido ao “feeling” que encontro nele. Espero que apreciem.
Lua
Ah minha bela Lua, formosa em tuas formas e curvas. Alva, serena e ao mesmo tempo capaz de mover os mares. Os fios negros que envolvem o teu pálido rosto e o frescor de tua presença atenuam os meus sentimentos por ti. Aqui me encontro eu, apenas a contemplar-te. Prostrado sobre uma lápide apenas a apreciar os teus encantos. Sentado em meio a corpos gélidos, entre os quais o teu tornas-te o mais frio. Os lábios que outrora eram quentes e ávidos, agora são álgidos e fúnebres. Por ti, minha bela Luna, caio em desespero, receando a cada dia que passa não mais poder louvá-la e perecer sem teu vislumbre. Estremeço ao imaginar o que me aguarda quando juntar-me a ti e fulgurar como apenas mais uma estrela, em um céu que a ti pertence.
Assim o que resta a mim, senão a dor de saber que teu toque não mais terei e teu sorriso não mais verei? Apenas prantos e lamúrias como bens sabe, se cumpres com tua promessa de não me esquecer. Agora vejo por entre as lápides teu corpo a vagar lentamente. Tuas vestes sedosas apetecem minha lascívia, por serem translúcidas como te tornas-te. Sabes que nunca deixaria de desejá-la por um ínfimo momento. Teus cachos negros caindo-te na fronte ainda despertam meus sorrisos, que aos leigos soa como insanidade. Mas por ti, minha bela dama da noite, não me importaria em passar uma eternidade num cárcere, junto a outros que conhecem o resplendor de tua beleza.
O sopro gélido que trazes contigo é tão triste e desprovido de vida, diferente da brisa morna e tenra que carregavas, mas ainda assim devo dizer-te que continuo a te amar. Amo-te por agora saber que nossa existência não se resume ao meu estado, mas transcende como minha imaginação até o teu plano, seja onírico, seja lúgubre. Anseio pelo dia da chegada de minha hora para enfim unir-me a ti e tê-la em meus braços novamente. Porém, apenas uma imprecisão temerosa toma meu semblante, fico a divagar sozinho sobre poder talvez perder-te enquanto a encontro.
Temo agora apenas por não saber se teu amor a mim pertence, como sabes, que o meu a ti é verdadeiro. Receio e estremeço, tua imagem se torna pálida, sem vida e expressão, ao mesmo tempo em que brilhas incandescentemente, trazendo-me de volta a lucidez de querer viver mais um dia, apenas para poder contemplar-te em outros crepúsculos. Assim me encontro com o coração partido, não por ter sido ofendido, mas por estar dividido entre minhas duas Luas.
Lua
Ah minha bela Lua, formosa em tuas formas e curvas. Alva, serena e ao mesmo tempo capaz de mover os mares. Os fios negros que envolvem o teu pálido rosto e o frescor de tua presença atenuam os meus sentimentos por ti. Aqui me encontro eu, apenas a contemplar-te. Prostrado sobre uma lápide apenas a apreciar os teus encantos. Sentado em meio a corpos gélidos, entre os quais o teu tornas-te o mais frio. Os lábios que outrora eram quentes e ávidos, agora são álgidos e fúnebres. Por ti, minha bela Luna, caio em desespero, receando a cada dia que passa não mais poder louvá-la e perecer sem teu vislumbre. Estremeço ao imaginar o que me aguarda quando juntar-me a ti e fulgurar como apenas mais uma estrela, em um céu que a ti pertence.
Assim o que resta a mim, senão a dor de saber que teu toque não mais terei e teu sorriso não mais verei? Apenas prantos e lamúrias como bens sabe, se cumpres com tua promessa de não me esquecer. Agora vejo por entre as lápides teu corpo a vagar lentamente. Tuas vestes sedosas apetecem minha lascívia, por serem translúcidas como te tornas-te. Sabes que nunca deixaria de desejá-la por um ínfimo momento. Teus cachos negros caindo-te na fronte ainda despertam meus sorrisos, que aos leigos soa como insanidade. Mas por ti, minha bela dama da noite, não me importaria em passar uma eternidade num cárcere, junto a outros que conhecem o resplendor de tua beleza.
O sopro gélido que trazes contigo é tão triste e desprovido de vida, diferente da brisa morna e tenra que carregavas, mas ainda assim devo dizer-te que continuo a te amar. Amo-te por agora saber que nossa existência não se resume ao meu estado, mas transcende como minha imaginação até o teu plano, seja onírico, seja lúgubre. Anseio pelo dia da chegada de minha hora para enfim unir-me a ti e tê-la em meus braços novamente. Porém, apenas uma imprecisão temerosa toma meu semblante, fico a divagar sozinho sobre poder talvez perder-te enquanto a encontro.
Temo agora apenas por não saber se teu amor a mim pertence, como sabes, que o meu a ti é verdadeiro. Receio e estremeço, tua imagem se torna pálida, sem vida e expressão, ao mesmo tempo em que brilhas incandescentemente, trazendo-me de volta a lucidez de querer viver mais um dia, apenas para poder contemplar-te em outros crepúsculos. Assim me encontro com o coração partido, não por ter sido ofendido, mas por estar dividido entre minhas duas Luas.
domingo, 3 de junho de 2007
Meus Últimos Dias...
Ok, eu sei que ando devendo alguns posts parta o blog, mas eu não tenho escrito nada “convencional”. Acredito que boa parte disso seja devido ao que eu tenho lido ultimamente. Schopenhauer, Nietzsche, e por aí vai... Minha linha de raciocínio tem se tornado um pouco afastada da literatura convencional passando a ser um pouco mais inquiridora, filosófica. Não acredito que isso irá durar muito, mas enquanto durar, escreverei meus próprios tratados e criarei meus perturbados Zaratustras. Poderia dizer até mesmo que consigo compreender o que Nietzsche disse em Ecce Homo quando ele cita algo relacionado à conhecer a miséria para poder sair dela e como isso pode colaborar para a escrita. Para aqueles que não tem conseguido falar comigo ultimamente deixo dito, através desse post, que tenho começado a trabalhar num romance, algo mais extenso. Para os curiosos, já deixo aqui uma idéia do que ele trata, um romance ambientado na época vitoriana, em Londres, mais precisamente entre 1850 e 1882, seguindo uma linha (ideológica, não qualitativa) próxima a Goethe, com alguns traços do RPG Castelo Falkenstein, sem o mítico, apenas a tecnologia, até agora existem cerca de 15 personagens criados para o livro, mas tenho tentado criar um aprofundamento psicológico para cada qual antes de poder falar a respeito deles. A história será uma adaptação de uma história “real” (não posso falar mais sobre isso) e cada um desses personagens serão uma espécie de transcrição de pessoas reais, acalmem-se, provavelmente se você está lendo isso você não é um dos meus personagens (mas eu posso estar mentindo para que não me importunem a respeito disso...). Em relação ao livro seria isso, mas existe mais um fato que gostaria de mencionar aqui, eu ingressei em um grupo de poetas aqui de Capão da Canoa chamado Grupo Poetar e acredito que tenha sido bem aceito (ao menos pelos poucos membros que tive o prazer de conhecer). Sendo o que tinha para o momento, despeço-me dos leitores e até meu próximo post, talvez com um início do romance.
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