Aqui seguem alguns sonetos para avaliação... Não tenho muito tempo para falar agora, mas assim que for possível (espero que logo) retomarei minhas atividades normalmente no blog. Valew ae,
agradeço a atenção.
A Paixão de Ícaro
A Paixão um dia desses
Enamorou-se do rei sol
Mas as milhas entre eles
Eram muitas, dava dó.
Então com toda esperteza
Que a paixão consegue ter
Fez com cera um par de asas
Para o seu amor ir ver
E foi numa manhã mansa
Sobre o olhar da vila inteira
Que a paixão correu com força
E pulou da pirambeira
Então subiu, voou,
A paixão com asas de cera.
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Eu Poeta
Nunca tive o ardor d'outros poetas
Nem virei minh'alma em tormentos
Pouco sequer passei por noites de boêmio
Ainda menos vivi uma paixão repleta
Não tive sonhos, nem esperanças do vindouro
No alvorecer de outro dia a vir surgindo
Nem mesmo tive uma estrela ao céu luzindo
Em conforto ao meu pálido agouro.
O que me une a estes vates dedicados
a retratar os sentimentos com leveza
é o langor que permeia o meu fado.
É na tristeza que encontro meu amparo
De poder ser algo rente a um poeta
Mesmo nunca tendo o belo encontrado.
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Soneto de meu Regresso
Campos verdes dos verdores sois fulgentes
Desse estranho estertor primaveril
E a bela rosa d'outros campos jaz silente
Nesses campos que uma rosa não floriu
Altos monte que vigiam meu regresso
Meu amargo exílio doentio
Minha alma na treva não só dorme
Como nela novo lar constituiu
Estando em terra onde o belo não se tece
O meu sonho se eleva ao céu anil
Me ofertando o luar que resplandece
Sobre a rosa que esse campo não floriu.
Mas sim num sonho, onde as flores tristes dormem
Num sonhar com minha amada flor gentil.
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Se eu Morresse
Se eu morresse e alguém visse meu cortejo
Certo seria que veria em comoção
Minha irmã, com lágrimas ardentes
E mais ninguém a velar-me em meu caixão.
Se eu morresse triste cena seria ela,
Ao ver ali retratada a reclusão
Da minha alma, sem ao menos uma vela,
Sem uma chama a guiar na escuridão.
Caso morresse, nem teriam o tom célebre
Os poucos vermes a aguardar putrefação
Da minha carne , já sem vida, fria, inerme
E mesmo morto encontraria a solidão
Mas se eu morresse uma morte derradeira,
Livre estaria livre estaria dessa dor no coração.
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Morte Num Soneto Noturno
Põe-se o sol, no luar o brilho
De antigos medos que permeiam a noite,
Ocultos infaustos que atentam à sorte,
Assombram-me a alma, perturbam-me o juízo.
Em becos escuros que volveia o vento
Lamúrias inquietas de funestas cortes,
Rompe nos ares singelo açoite,
Estalido voraz do desconhecido.
O passo em falso, o olhar aflito,
Às sombras incertas de soturna noite
Corta, a mão que empunha a foice,
O silêncio noturno, com medonho riso.
Envolto em medo, resoluto digo:
-É a morte, uma sombra da noite!
PS Não tive muito tempo para revisar a digitação então pode haver erros. Valew novamente.